
O Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) suspendeu a divulgação da pesquisa do Instituto Phoenix & Associados, única realizada este mês que colocava o ex-prefeito de Manaus David Almeida (Avante) em segundo lugar na disputa pelo Governo do Amazonas. A decisão liminar foi assinada na terça-feira (22) pela juíza auxiliar da propaganda eleitoral Mara Elisa Andrade.
A pesquisa foi registrada sob o número AM-04753/2026 e divulgada no dia 18 de setembro. Como o Radar Amazônico mostrou, o instituto já tinha histórico de levantamentos suspensos no Estado: Esta é a terceira pesquisa do Phoenix barrada pela Justiça Eleitoral no Amazonas, depois das suspensões de 2018 e 2022.
A representação (processo nº 0601834-61.2026.6.04.0000) foi apresentada pela coligação União Progressista, do governador e candidato à reeleição Roberto Cidade. A ação foi movida contra a Ascension Tech Ltda., que pagou pelo levantamento, e contra a JJ Coelho – ME, razão social do Instituto Phoenix.
Metodologia cita Unaí (MG)
A coligação apontou três irregularidades no registro. A primeira é que o Phoenix informou apenas a quantidade de entrevistas por município e bairro, sem o número de eleitores ouvidos em cada setor e o perfil da amostra por gênero, idade, escolaridade e renda. A segunda irregularidade é que as “considerações metodológicas” cadastradas no sistema diziam que a pesquisa cobriria “todas regiões do município de Unaí/MG”, sem alusão ao Amazonas, além disso o relatório completo com os resultados não foi entregue dentro do prazo legal.
A juíza considerou que o levantamento foi registrado com “deficiências informacionais intransponíveis” contrariando a Resolução TSE nº 23.600/2019. A decisão cita entendimento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de que a falta dessa informação basta, por si só, para que uma pesquisa seja considerada não registrada.
Sobre a menção a Unaí, a magistrada classificou o problema como “erro crasso” no plano amostral. Na avaliação dela, a falha compromete a confiabilidade científica do levantamento e levanta suspeitas sobre a idoneidade da metodologia.
Risco de “efeito manada”
Ao justificar a urgência, a juíza afirmou que a circulação de uma pesquisa com vícios metodológicos tão evidentes pode gerar grave desinformação. Segundo ela, dados estatísticos não confiáveis no período eleitoral podem interferir na decisão do eleitor, provocando o chamado “efeito manada”, e causar um desequilíbrio irreversível na disputa.
Pela decisão, a Ascension Tech e o Instituto Phoenix devem suspender imediatamente a divulgação dos resultados. As empresas também não podem republicar nem compartilhar os números. Em caso de descumprimento, a multa é de R$ 5 mil por dia para cada obrigação descumprida, limitada provisoriamente a R$ 50 mil.
As empresas têm dois dias para apresentar defesa. Em seguida, o Ministério Público Eleitoral terá um dia para emitir parecer e o processo segue para julgamento do mérito. Nessa fase, a coligação pede que a pesquisa seja declarada não registrada e que as empresas sejam multadas com base no artigo 33, § 3º, da Lei das Eleições.
Proprietário condenado
As polêmicas não param na empresa. Segundo reportagem da revista Época, o proprietário da Phoenix, José Junevil Coelho, já foi condenado a dois anos de prisão por crime eleitoral. A condenação veio depois que o instituto registrou, nas eleições de 2006, uma declaração que atribuía a determinada pessoa a responsabilidade estatística por uma pesquisa. A Justiça considerou o documento falso. A pena, porém, não chegou a ser cumprida porque o crime prescreveu.
Números destoavam
No levantamento suspenso, o senador e candidato ao Governo do Amazonas, Omar Aziz (PSD), aparecia com 26,2%, o ex-prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), com 21,7%, o governador e candidato à reeleição, Roberto Cidade (União Progressista), com 19,8% e a empresária Maria do Carmo (PL) com 18,2%. O resultado contrastava com as pesquisas anteriores. Na AtlasIntel, divulgada em 4 de setembro, David aparecia em quarto lugar, com 8,7%. Na Pontual, divulgada no dia 14, ele também estava em quarto, com 14,9%.
A pesquisa custou R$ 9 mil e foi paga pela Ascension Tech Ltda., empresa de consultoria em publicidade com sede em uma sala no bairro Nossa Senhora das Graças, em Manaus.
Confira a Decisão
Fonte: Radar Amazônico







