A pecuária leiteira do país registrou um desempenho histórico em 2025 ao alcançar a marca de 36,7 bilhões de litros produzidos, o que representa um crescimento de 2,7% na comparação com o ano anterior.
Avanço na produtividade e redução do rebanho
O resultado marca o terceiro ano consecutivo de expansão no setor. Surpreendentemente, esse patamar foi atingido apesar da retração de 2,7% no total de vacas ordenhadas, que somou 14,7 milhões de animais — o menor patamar registrado desde 1979, conforme os dados da Pesquisa da Pecuária Municipal divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A relação entre o volume gerado e a quantidade de animais revelou um salto expressivo de 5,6% na produtividade das fazendas, atingindo a média recorde de 2.498,7 litros por vaca. Entre os fatores que explicam esse avanço estão o clima favorável, os investimentos em genética e a reorganização da base produtiva, marcada pela saída de produtores menos especializados.
O analista da pesquisa, Octavio Costa de Oliveira, explica que a substituição de produtores acontece porque a pecuária exige investimento em mão de obra e tecnologia. “Os grandes produtores têm a capacidade desses investimentos”, diz.
Destaques regionais e municipais
A região Sul assumiu a liderança isolada em eficiência, com uma média de 4,3 mil litros por animal no período. Em termos de volume total, o Sul também encabeça a lista respondendo por 34% do total nacional, seguido de perto pelo Sudeste, que concentra 33,5%.
No recorte por estados, Minas Gerais manteve a hegemonia isolada ao produzir 10,1 bilhões de litros. Já entre os municípios, Castro, no Paraná, destacou-se como a cidade campeã na atividade ao extrair 532,8 milhões de litros ao longo do ano.
O valor bruto gerado pela atividade leiteira nacional atingiu R$ 89,5 bilhões, alta anual de 2,3%, com o preço médio do litro mantido em R$ 2,44. Do montante fabricado, 75,2% foram destinados diretamente à indústria de laticínios.
Panorama geral da pecuária e avicultura
O setor pecuário como um todo faturou um valor recorde de R$ 141,2 bilhões em 2025, impulsionado majoritariamente pela atividade leiteira, que respondeu por 63,4% desse montante. Paralelamente, o segmento avícola também registrou marcas expressivas, com o total de galináceos chegando a 1,6 bilhão de cabeças e a produção de ovos alcançando 5,7 bilhões de dúzias.
Para o analista Octavio Costa de Oliveira, a explicação passa por maior demanda pelo produto. Um elemento é o fato de o ovo ser um substituto mais acessível da proteína da carne.
“Dependendo das condições de renda e de preços das carnes, o ovo entra mais forte [na demanda]”, diz.
Ciclo do gado e mercado externo
Em sentido oposto à alta de eficiência, o rebanho bovino total sofreu nova retração, caindo para 234,3 milhões de cabeças, o menor patamar desde 2022. O movimento é atribuído pelo IBGE ao ciclo pecuário e à intensidade do abate de fêmeas em períodos anteriores.
Octavio Costa de Oliveira explica que essa redução faz parte do ciclo da pecuária, com o abate de fêmeas em anos anteriores, o que se reflete na menor capacidade reprodutiva do rebanho.
“Às vezes, o produtor abate as suas fêmeas porque o preço da carne está atrativo e, às vezes, o preço do bezerro para repor esse rebanho não está favorecendo a reposição do rebanho”.
Apesar da menor quantidade de animais, as exportações de carne in natura registraram forte expansão de 21,4% em volume, tendo a China como principal mercado comprador, destino de mais da metade de tudo o que foi embarcado pelo país.







