Gruta do Gentio II, lar da única múmia do Brasil, tem novas escavações em Unaí (MG)

Gruta do Gentio II, lar da única múmia do Brasil, tem novas escavações em Unaí (MG)


A Gruta do Gentio II, sítio arqueológico de Unaí, no Noroeste de Minas Gerais, guarda o único caso documentado de múmia natural do Brasil e dos países sul-americanos de terras baixas. O local voltou a ser escavado em 2026 por pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB), com o objetivo de mapear sepultamentos ainda não identificados. 

✅ Siga o nosso canal no WhatsApp

A nova campanha foi realizada entre julho e 14 de agosto deste ano. A equipe, coordenada pelo professor Francisco Pugliese, do Departamento de Antropologia da UnB e responsável pelo Projeto Arqueologia e História Indígena no Brasil Central (Phibra), buscava ampliar o conhecimento sobre os grupos que ocuparam esse abrigo ao longo de milênios.

Acauã foi enterrada com rede de algodão e couro de veado há 3.350 anos

A múmia recebeu o nome de Acauã, ave nativa do cerrado mineiro. Segundo o Instituto de Arqueologia Brasileira, ela foi encontrada em 1977, durante trabalhos de campo no Vale do São Francisco.

Ela tinha cerca de 12 anos quando morreu, há aproximadamente 3.350 anos. O corpo foi envolto em rede de algodão, coberto com couro de veado e acompanhado de objetos funerários.

A conservação foi espontânea. A baixa umidade e a temperatura relativamente estável da caverna evitaram a decomposição de estruturas que, em condições normais, desapareceriam em pouco tempo. O estado de preservação permite analisar parasitas, padrão alimentar e material genético das populações que passaram pelo Brasil Central.

Gruta do Gentio II ficou quase 40 anos sem escavações sistemáticas

A equipe voltou ao sítio em 2021 depois de constatar que campanhas anteriores haviam deixado ossos e objetos funerários expostos, sem proteção. Segundo Pugliese, a circulação de turistas e animais pelo sítio sem qualquer controle criava risco imediato de perda irreversível do acervo.

As expedições de 2021 a 2025 reuniram mais de 300 peças ligadas a sepultamentos humanos. O material foi distribuído entre laboratórios da UnB e da Universidade de São Paulo (USP). Parte seguiu para a Universidade da Flórida, nos Estados Unidos e amostras foram enviadas ao Instituto Max Planck, na Alemanha.

As escavações das décadas de 1970 e 1980 já haviam mapeado rastros de 78 pessoas diferentes. Parte desses ossos conservou estruturas que raramente sobrevivem ao tempo, como fios de cabelo e fragmentos de tecido mole, resultado direto do microclima da caverna. Os objetos encontrados na época incluem sementes, pontas de pedra, penas, ornamentos e recipientes de cerâmica.

Entre as questões ainda em aberto está saber se existe parentesco genético entre as populações enterradas na gruta e grupos indígenas do Brasil Central, como Xakriabá, Xavante e Xerente.



Fonte da Notícia

Gostou do conteúdo? Compartilhe!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Mais populares

Categorias

Redes Sociais