Expansão do cultivo de maconha no Norte de Minas Gerais preocupa autoridades

Expansão do cultivo de maconha no Norte de Minas Gerais preocupa autoridades


Polícia Civil apreende 40 mil pés de maconha em Cachoeira do Pajeú (Foto: Instagram)

Belo Horizonte – A descoberta de uma plantação com aproximadamente 40 mil pés de maconha em Cachoeira do Pajeú, no Vale do Jequitinhonha, na última quinta-feira (20/8), destaca uma tendência preocupante para as forças de segurança em Minas Gerais: a disseminação do cultivo ilegal de cannabis para as regiões Norte e Nordeste do estado.

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A operação da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) resultou na prisão em flagrante de um homem de 57 anos, além da apreensão de uma grande quantidade de maconha já colhida e armazenada em sacos. Conforme a polícia, a área vinha sendo monitorada por mais de um mês e possuía estruturas para cultivo em grande escala.

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O episódio em Cachoeira do Pajeú não é um caso isolado. Segundo a própria PCMG, este é o quinto plantio identificado nas investigações. Anteriormente, foram localizadas áreas de cultivo em Virgem da Lapa, Grão Mogol, Porteirinha e Unaí.

A série de descobertas levanta um questionamento: por que criminosos estão optando pelo Norte de Minas para plantar maconha em larga escala?

O mapa das apreensões recentes revela que o cultivo não está concentrado em um único município. As plantações surgem em diferentes pontos do Norte e do Vale do Jequitinhonha, frequentemente em áreas rurais.

Em maio, o Metrópoles noticiou a localização de uma plantação com cerca de 30 mil pés de maconha em Virgem da Lapa. No local, os investigadores encontraram bombas d’água, estrutura para secagem e beneficiamento, balança de precisão, embalagens e registros de irrigação.

Em outra fase da investigação, os policiais chegaram a Francisco Sá, no Norte de Minas, onde foram apreendidas cerca de 1,8 tonelada de maconha e encontrada uma estrutura para cultivo e processamento da droga.

Os casos mostram que não se trata apenas de pequenos agricultores clandestinos. As estruturas indicam uma cadeia organizada, com produção, irrigação, colheita, armazenamento e preparação para distribuição.

Uma das possíveis explicações para a escolha da região está na própria geografia.

O Norte de Minas possui vastas áreas rurais, propriedades distantes de grandes centros urbanos e regiões de difícil acesso. Para organizações criminosas, esse cenário pode dificultar a localização das plantações e permitir que grandes áreas sejam usadas sem chamar atenção imediata.

A presença de sistemas de irrigação também é comum nos casos investigados. Em Virgem da Lapa, por exemplo, os policiais encontraram bombas d’água e registros relacionados ao manejo da plantação.

Isso é relevante porque parte do Norte de Minas enfrenta longos períodos de seca. Para manter um plantio de grande porte, os criminosos precisam criar estruturas que garantam o fornecimento de água.

No caso descoberto na última quinta-feira, a PCMG informou que identificou estruturas voltadas ao cultivo em larga escala, reforçando o caráter organizado da produção encontrada em Cachoeira do Pajeú.

Outro elemento que ajuda a entender o fenômeno é a localização do Norte de Minas.

A região está próxima da Bahia e mantém conexão geográfica com o sertão nordestino, uma área historicamente associada ao cultivo ilegal de maconha, especialmente o chamado Polígono da Maconha, no entorno do Vale do São Francisco.

Nesta quinta-feira, enquanto a PCMG localizava os 40 mil pés em Cachoeira do Pajeú, a Polícia Federal deflagrou uma nova fase da Operação Colheita Proibida, também relacionada ao combate ao cultivo ilegal da droga. A ação cumpriu 13 mandados de prisão preventiva e 12 de busca e apreensão na Bahia, em Pernambuco e em Alagoas.

A Justiça determinou ainda o sequestro de cinco imóveis e o bloqueio de até R$ 50 milhões em bens e contas de investigados.

A investigação da PF aponta para uma estrutura criminosa que envolve financiamento do cultivo, tráfico, associação para o tráfico e lavagem de dinheiro.

As grandes apreensões realizadas em Minas também mostram que os criminosos estão levando para as áreas rurais uma estrutura de produção.

Em Virgem da Lapa, por exemplo, a polícia encontrou equipamentos para irrigação, secagem e preparação da droga. Já em outros pontos investigados foram localizadas grandes quantidades de maconha já colhida.

Isso significa que a escolha do território pode envolver mais do que simplesmente encontrar um lugar isolado.

É preciso haver água, espaço, acesso e condições para transportar a produção. Uma região rural extensa pode oferecer esses elementos ao mesmo tempo em que dificulta o trabalho de fiscalização.

A descoberta de Cachoeira do Pajeú chama ainda mais atenção porque, segundo a PCMG, é a quinta área de cultivo identificada no curso das investigações.

Além de Virgem da Lapa e Grão Mogol, foram encontradas plantações em Porteirinha e Unaí.

A distribuição geográfica dos municípios indica que o fenômeno não está restrito ao Vale do Jequitinhonha. As plantações aparecem também em áreas do Norte de Minas, o que amplia o território que precisa ser monitorado pelas forças de segurança.

As investigações continuam para identificar outros envolvidos na produção e manutenção dos cultivos.

Os casos recentes permitem falar em uma possível expansão territorial da produção ilegal de maconha, mas ainda é cedo para afirmar que o Norte de Minas tenha se transformado em um novo grande polo produtor.

O que já está comprovado pelas operações é que organizações criminosas estão utilizando municípios da região para manter plantações de grande porte e estruturas de beneficiamento.

E há uma característica em comum: o isolamento das áreas rurais aliado à possibilidade de instalação de sistemas de irrigação.

A proximidade com a Bahia e com o sertão nordestino pode ser outro fator estratégico, especialmente para grupos que já possuem conexões com regiões tradicionalmente ligadas à produção da droga.

A operação desta quinta-feira acrescenta um número expressivo a esse cenário: 40 mil pés de maconha encontrados em uma única propriedade.

Enquanto a polícia tenta descobrir quem financia e mantém essas plantações, o Norte de Minas e o Vale do Jequitinhonha passam a ocupar um espaço cada vez mais relevante no mapa das operações contra o cultivo ilegal de cannabis em Minas Gerais.



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